ideia 1 – seres vivos arquitectónicos

desenho de Pedro Pousada

 

Os animais vivos como pertencentes à Arquitectura.

(Parte móvel da Arquitectura ou: Mais Mutável Que as outras).

Exemplo: Um cão branco associado a uma parede (vamos imaginar: negra)

(A forma do animal e a cor são importantíssimas, claro, como toda a Forma e cor na arquitectura.)

O projecto arquitectónico considera a parede e o cão como 2 partes

de um mesmo bloco associativo Arquitectónico.

Pode utilizar-se uma girafa, um elefante, um Sapo.

(A diferença de informação espacial que uma girafa e um sapo podem dar é importante)

A referida parede negra associada à girafa é completamente diferente quando associada ao sapo, ao elefante ou ao porco.

O cão, se fizer parte da arquitectura, deve ser alvo de trabalhos de manutenção como todo o resto do edifício.

Cada material tem as suas características.

As madeiras requerem uma frequência de trabalhos de manutenção diferente do Betão, por exemplo.

Do mesmo modo o cão vivo requer uma outra frequência de trabalhos de manutenção (comida, da higiene, etc.)

Só a preguiça pode levar à recusa de um Material arquitectónico (excessivo trabalho de manutenção).

Todas as opções de Material (quer o material seja o cão a madeira ou a pedra) deverão entrar na ordem da estética, e não ter em conta o esforço necessário à sua manutenção.

Se o tigre for estético na Sala porque não optar por ele?

Claro que os animais, como todos os materiais, têm uma duração. O facto do cão morrer (mais tarde ou mais cedo) não deverá também influenciar na decisão arqutectónica.

(Qualquer dia virá uma guerra e a bomba deitará abaixo o império;

ou ainda: muito antes do cão pode morrer o habitante da Casa.)

 

É, pois, apenas uma questão de alargamento do Material disponível.

Os grupos de defensores dos direitos dos animais poderão protestar pelo facto do animal ser utilizado como material arquitectónico. É algo a ter em conta. Porém.

 

  

Claro ainda que se poderá ir ao limite, e utilizar pessoas como material arquitectónico.

Por exemplo: Uma loira de corpo deslumbrante e roupa reduzida poderá ser colocada num determinado local de umas escadas interiores

Também aqui a manutenção do material é importante e frequente: a mulher loira deverá ser alimentada, e a sua higiene deverá ser acautelada.

Claro que quem diz uma mulher atraente poderá dizer um homem atraente, ou 1 velho. Ou um filósofo.

Todos podem ser bons materiais arquitectónicos dependendo apenas da localização e natural associação estética com os outros elementos (Forma, Cor, madeiras, pedra, mármore, etc.)

 

Todos os materiais estão vivos (modificam-se); no entanto no caso destes materiais: animais e pessoas - a sua vida manifesta-se de modo mais intenso e as modificações são, então, mais frequentes (ou aparentam).

Em primeiro lugar existe o problema de dormir: tendo estes seres vivos esta necessidade, ou conseguem/são obrigados a dormir na posição que o arquitecto escolhe, ou então deve procurar-se conciliar o sono do habitante da casa com o sono de uma parte da  arquitectura (neste caso do cão ou da loira). Nesta solução, o material descansa porque tem de descansar, e o dono da casa, quando acordado, vê sempre a arquitectura como planeada; ou seja: no estado desperto.

Outra alternativa ainda é o estabelecimento de dois conjuntos de Associação Arquitectónica: um em que o corpo vivo se encontra acordado, em pé, por exemplo, e o outro em que o material - ser vivo - se encontra deitado, a dormir. Nas 2 situações a estética é boa (esse, o objectivo).

Em 2º lugar existe o problema do passar do tempo, do envelhecimento,

das mudanças físicas.

Se uma loira permanecer 20 anos como material arquitectónico de uma casa, mudará de aparência física, portanto o projecto do arquitecto deverá prever também a mudança e adaptação dos restantes elementos da casa.

A madeira e o mármore devem envelhecer ao mesmo ritmo que a loira (leia-se ao mesmo ritmo como: mantendo a qualidade estética associativa).

A mesma preocupação mantém-se, claro, para o caso do material vivo ser um cão (os cães também envelhecem) ou um filósofo.

Quanto a uma última questão que certamente não deixará de ser levantada deveremos apenas dizer: todo o material que morre deve ser substituído (mantendo-se, pelo menos, a qualidade anterior.)

E é tudo.