Com o vídeo Space Junk (do qual aqui mostramos um pequeno excerto), Miguel Soares traduz uma nova relação com o imaginário da ficção científica e do fascínio com as viagens espaciais.

Miguel Soares associa o lixo a uma imagem tradicionalmente impoluta do Espaço.

Assim, o Espaço já não será propriamente encarado como lugar de especulação poética e metafísica.

Mas, ao mesmo tempo, pela forma como é representado, na linguagem tão limpa da realidade virtual, este lixo surge-nos numa nitidez imaculada.

Pela natureza de alguns objectos deste lixo, que inclui coisas como uma hélice ou um anel de diamante, à ideia de lixo associa-se a ideia de objectos perdidos pairando como pequenos satélites.

E, as vozes dos astronautas que ouvimos, parecem ser registos de comunicações rádio perdidas numa espécie de realidade pós- nuclear onde o único espectador será o vácuo.

António Olaio