Maquette, 1991

 

Tony Tasset, com o seu objecto/escultura Maquette, ao mesmo tempo que associa este título a esta forma elementar, traduzindo um pós-minimalismo irónico, parece procurar encontrar o ícone que seja o lugar comum a todos os projectos arquitectónicos.

Tasset mostra-nos uma forma cúbica, branca, sem face superior (como se anulasse o telhado para vermos, simultaneamente, interior e exterior) e com uma abertura rectangular, à imagem de uma porta.

Com este objecto transmite a ideia sintética de arquitectura mais parecida com um puro acto de nomear.

Toda a criação formal que, na arquitectura é ditada pela estética e pela funcionalidade, ou, melhor, pelas necessidades estéticas multiplicadas pelas necessidades funcionais, é anulada. A própria essencialidade e minimalismo desta obra é factor de estímulo para a imaginação do espectador, que pode imaginar todas as mutações possíveis que podem transformar aquela maquete na sua própria casa ou, até, se quiserem, no castelo de Guimarães.

Esta obra surge-nos como o momento zero de todo um processo de gestação formal, mas, ao mesmo tempo, com o que de mais próximo uma imagem poderia ter com um signo.

 

antónio olaio