As fotografias de Andreas Gursky, nas suas grandes dimensões, surgem como espaços cenográficos.

E é este sentido cenográfico que reforça a sua qualidade de variações sobre os espaços enquanto campos que conformam as acções dos indivíduos.

Perante as suas imagens, somos levados a crer que os espaços que habitamos não passam de estruturas que condicionam todos os nossos gestos, numa ideia de mundo como uma máquina que gera a nossa mobilidade, não havendo lugar para qualquer liberdade, ou movimento aleatório.

Como exemplo emblemático desta ideia, surge a imagem onde uma pintura de Jackson Pollock é fotografada numa parede de um museu, em enquadramento de simetria perfeita.

Esta simetria reforça a ideia do contraste entre a action painting e o seu suporte, entre a ideia da liberdade do gesto e o facto desta não passar de uma ilusão na clausura do suporte rectangular.

Fotografando (e/ou interpretando com tratamento digital) edifícios, espaços urbanos, e espaços naturais, não parece procurar o contraste entre o urbano e a natureza, mas sim, cruamente, assimila os espaços aparentemente naturais num mesmo plano de leitura dos espaços urbanos, retirando qualquer sentido romântico à natureza, encarando friamente os seus espaços como campos de maior ou menor complexidade geométrica.

 

antónio olaio