Anthony Gormley cria esculturas/corpos ou, melhor, esculturas que parecem ser representação de moldes de um corpo. De um corpo sem identidade, na maximização do seu sentido simbólico.

Os corpos/moldes das esculturas de Gormley parecem confinar a existência do corpo ao espaço mais ínfimo, como se o espaço de vida de um indivíduo não fosse mais do que o espaço dado pelos limites do seu corpo.

Mas em Gormley um corpo é encarado também pelo seu carácter de representação. Um corpo representando um indivíduo.

E, aqui, na relação de um corpo com o mundo, o corpo poderá ser representação deste espaço concentracionário que reside na condição de se ser um indivíduo.

Em Learning how to see, Gormley apresenta um desses corpos moldes, de pé, braços junto ao corpo, cujo único indício de acção é o de olhar em frente. Aqui, e pela sugestão do título, este corpo assume a condição de ponto de vista, sublinhando tudo o que não está presente na escultura, toda a realidade exterior.

Se este corpo pode ser encarado como imagem simbólica, ou generalização de uma ideia de subjectividade individual, o que é particular nesta obra, pela sugestão do aprender a ver, é o implicar, sobretudo, todo o campo de uma realidade objectiva a desvendar.

 

antónio olaio